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Grupo de Estudos Diálogo: Discurso e Ação Humana 

(Segunda etapa do círculo de leitura Tardes com Platão - Extensão modalidade virtual, 2021)


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Cartaz do Encontro


Memorial dos encontros Banquete de Platão

  • [12.01] Introdução à leitura: Platão, Grécia, Filosofia

    Banquete, 172a-173a
Aspectos gerais para a leitura de O Banquete, de Platão. O contexto da Grécia à época de Sócrates e de Platão. O século V a.C. A guerra do Peloponeso e a origem do teatro e da democracia. Sócrates e sua filosofia erótica como tema de Ésquines de Esfeto e de Platão no Banquete. A estrutura do Banquete: seis discursos a partir de formas distintas de saber presentes em Atenas. Sétimo discurso de Alcibíades como elemento de ruptura no ciclo. A escrita de Platão em Banquete como apresentação de rupturas da filosofia face à tradição grega. Erotismo filosófico como temática central, presente também no Fedro. A obra de Platão deve ser lida como um todo discursivo. Banquete como texto filosófico cuja proposta é o erotismo educativo. Início da leitura do diálogo. Apolodoro como típico discípulo que copia Sócrates. As noções de paídos e de paízon como espectro de referência do erotismo em Banquete.




  • [19.01] Preâmbulos da situação narrativa de Apolodoro

    Banquete, 173a-173e
Rememoração do encontro anterior. Apolodoro conta de quem ele ouviu os acontecimentos: de um tal Aristodemo, que também andava descalço como Sócrates e esteve presente ao banquete. Aristodemo era erastés de Sócrates. Apolodoro chegou a confirmar com Sócrates o que lhe contara Aristodemo. Era comum a prática da narração entre os socráticos. Platão e a questão da narração fidedigna sobre Sócrates. A caminhada e o prazer com os discursos filosóficos. Troça com os negociantes e seus discursos, antagonismo entre perspectivas: ócio e negócio. O interlocutor de Apolodoro fala, e o descreve como dizendo sempre o mesmo: todos são inferiores a Sócrates. Apolodoro rebate: serei louco por agir assim? Loucura e o éros por Sócrates.




  • [26.01] O início da narração de Apolodoro: a persona de Sócrates
            Banquete173e-175c

Rememoração do encontro anterior. Apolodoro se põe a narrar, a partir do que Aristodemo lhe contou, os acontecimentos do dia do banquete. Ele iria começar por dizer quem estava presente, mas retrocede para seguir o fluxo da narrativa de Aristodemo, que o contou a partir de seu encontro com Sócrates. Isso nos situa, antes que no banquete propriamente dito, frente a persona mais importante desse texto de Platão. Sócrates banha-se e está calçado, o que não lhe é comum. Está belo para ir encontrar o belo (ágathon, Agatão). Sócrates menciona, com isso, que ele faz uma pequena alteração ao provérbio grego "o bom vai espontaneamente à casa dos piores". Referência a Homero. A caminho da casa de Agatão, Sócrates fica ensimesmado e Aristodemo chega primeiro ao banquete, envergonhado. Agatão manda os servos trazerem Sócrates, mas estes lhe dizem que permanece imóvel frente à casa vizinha. Agatão pede para que o tragam nem que seja à força, ao passo que Aristodemo defende Sócrates, dizendo ser esse ato um costume do filósofo. Agatão inicia o banquete, e pede gentileza dos servos, a fim de eles serem elogiados. Sócrates chega já ao meio da comida, mas não demorou tanto quanto de costume (ou seja, mais uma pequena alteração em seu costume).




  • [02.02] A chegada de Sócrates: saber e erotismo
            Banquete175c-176a

Rememoração do encontro anterior. Sócrates, que se atrasou para o jantar embora não tanto como de costume, é recebido por Agatão que o convida a deitar-se ao seu lado. Com um vocabulário que flerta com a descrição de uma relação sexual, Agatão sugere que deitar-se com Sócrates pode levá-lo a ser agraciado com a sabedoria alcançada pelo filósofo. Sócrates, no entanto, indica que com a sabedoria não parece acontecer o mesmo que se dá, por exemplo, com a passagem da água de um tonel cheio a um vazio. Caso fosse possível, Sócrates desejaria esse contato com Agatão, a fim de receber daquela sabedoria de um jovem brilhante. A ironia, percebida por Agatão, é deslocada para outro momento, em que ambos poderão ser avaliados por Dionísio como juiz. Após terminarem de comer, fazem-se os ritos que antecedem ao symposium (beber juntos), como sua preparação cívica e religiosa.

  • [09.02] A proposta de discursos sobre Eros
            Banquete176a-177e

Rememoração do encontro anterior. Pausânias expõe sua ressalva em se entregarem ao excesso da bebida, como fizeram no dia anterior, propondo que se encontre algo menos prejudicial. Aristófanes, que havia se acabado de beber, concorda, e também Agatão. Erixímaco, o médico, felicita a proposta, indicando que, segundo o seu saber médico, a embriaguez é nociva ao humano. Fedro, o retórico, acata o saber médico, sugerindo que também os de bom senso o acatarão. Indicado esse detalhe do discurso médico/científico como ponto central da dinâmica dos discursos. A partir disso, ele propõe não a competição de bebidas, mas um beber por prazer. Além disso, pede para as flautistas serem dispensadas, para que se realize uma competição de discursos. A temática, ele introduz a partir de suas conversas com Fedro, em que este apresenta o absurdo de não haver louvores a Eros na poesia nem na retórica dos sofistas. Erixímaco, então, acredita ser o momento oportuno para que cada um faça um elogio a Eros (encômio, gênero retórico), a começar pelo próprio Fedro, o primeiro segundo os lugares da sala e o pai das colocações apresentadas pelo médico. Sócrates, tomando a palavra, anuncia estarem todos de acordo, ele também não se eximindo de elogiar Eros, visto que nada mais sabe, a não ser as coisas do amor (ta erotiká).




  • [16.02] Os discursos sobre o amor I - Fedro
            Banquete178a-180b

Rememoração do encontro anterior. Apolodoro, que narra os acontecimentos a partir da narração que lhe foi feita por Aristodemo, indica que serão resgatados apenas os pontos mais importantes dos discursos mais importantes da ocasião. Fedro começa o seu elogio mostrando que Eros é grandioso e admirável por ser uma divindade primordial, sem ter sido gerado por nenhum outro deus, e que esse lugar o situa como oferecendo aos humanos as melhores bênçãos na vida e após a morte. Isso porque Eros, ao influenciar o amante ao desejo pelo amado, os movem a sempre procurarem, na presença um do outro, evitar ações vergonhosas e realizar ações valorosas. Também o amor é o único capaz de levar alguém a morrer por um outro, de modo que tanto na vida, pelas ações valorosas, quanto na morte, em vista de um sacrifício, os que amam são beneficiados pelo divino. E o amado mais do que o amante, pois este, sendo a parte ativa do amor e portanto influenciado pelo Eros, justifica suas ações pelo desejo que sente, ao passo que aquele, o amado, por ser apenas o objeto do amor, age por reflexo ao tomar as melhores atitudes diante daquele que o ama.

Sugestão de leitura: 




  • [23.02] Os discursos sobre o amor II - Pausânias
            Banquete180b-185c

Rememoração do encontro anterior. O discurso de Pausânias, e a retórica dos costumes. Apresentação do Eros duplo a partir das duas Afrodites, a celestial e a vulgar. A Afrodite celeste, por ser filha só de pai e mais velha, dota o Eros que a segue com o Eros mais valoroso, dedicado à relação erótica masculina entre o mais velho e o mais jovem. Essa relação se justifica por estar orientado ao que perdura, a alma, e não ao corpo como faz o Eros vulgar, relativo aos dois sexos e a práticas sexuais sem interesse educativo. Apresentação dos costumes atenienses em face das outras cidades gregas: em Atenas, louva-se a complexidade da relação erótica desde que ela se encaminhe para unir as duas formas de erotismo: por um lado, o interesse erótico-sexual masculino que corresponde a um ato em si não belo nem feio, mas que se torna belo ou feio em vista do que ele é feito; por outro lado, a prática da pedagogia pelo exemplo para a virtude, que torna a competição da conquista um jogo duradouro e faz digna toda forma de erotismo. Desse modo, Pausânias conclui seu discurso afirmando louvar uma erótica pedagógica capaz de levar à virtude pelo exemplo.





  • [02.03] Os discursos sobre o amor III - Erixímaco
            Banquete185c-187e

Rememoração do encontro anterior. Após a pausa de Pausânias, Aristófanes, que era o próximo, se vê acometido por uma crise de soluço, e solicita a ajuda do médico Erixímaco, que se dispõe a curá-lo e a discursar em seu lugar, até ele melhorar. Erixímaco segue a proposta dos dois Eros, feita por Pausânias, mas critica o seu final, que desconsiderava um dos Eros. Para a medicina, os dois Eros atuam em tudo, e sobretudo nos corpos, de forma que a medicina é a identificação do tipo de amor atuante a fim de favorecer a saúde e substituir aquele que causa doença. A partir da música e do pensamento do sábio Heráclito, o médico vale-se da noção de harmonia tensional entre opostos como explicação para a natureza das coisas. O bom Eros é aquele que produz harmonia, e que permite a boa composição entre música e poesia, ambas em vista dos indivíduos temperantes, que conduzem à educação. Quanto ao Eros popular, ele deve ser exercido com moderação, tal como a medicina exerce vigilância severa sobre os prazeres em relação ao que se come.





  • [09.03] Os discursos sobre o amor IV - Erixímaco (final) e Aristófanes (início)
            Banquete188a-191d

Rememoração do encontro anterior. Ao final do seu discurso, Erixímaco articula a noção de harmonia do Eros bom com a força kósmica (de kósmos, ordem) da natureza, tal como estudada pela astronomia, além de estabelecer a melhor aproximação em relação aos deuses, segundo a adivinhação. Isso leva à conclusão da força onipotente do Eros universal. Curado do soluço, Aristófanes graceja ao início, mas assume que seu temor é ser ridículo. Seu discurso segue a poesia e o fazer mítico, elaborando a descrição da natureza originária dos seres humanos a fim de conseguir, com isso, iniciar os companheiros na compreensão do poder de Eros. Seu mito narra os três sexos originários, em que o terceiro é a mistura dos outros dois, andrógeno. Zeus, por punição, corta-os ao meio, e Apolo reconstitui os corpos. Essa segunda era da humanidade é marcada pela inércia e morte, porque nada mais importava que se juntar e estar junto à sua metade. Com a mudança dos órgãos reprodutores, mudaram-se as consequências dessa união: agora eles não só se reproduziam, mas também se aliviavam. Essa solução divina, no entanto, ratifica a doença humana, cuja cura só se obtém pelo encontro com a outra metade.

Indicação de leitura, comédias de Aristófanes:
Lisístrata ou a greve do sexo
Tesmofórias
As duas peças em uma edição





  • [23.03] Os discursos sobre o amor IV - Aristófanes (parte final)
            Banquete191d-193d


Rememoração do encontro anterior. Seguindo o mito da natureza humana, Aristófanes nos mostra como o humano é um ser pela metade, um símbolo, que anseia (philía) pelo complemento a fim de resgatar sua natureza. As três formas de seres únicos originários e as três formas de sexualidade. O anseio pela outra parte, ao se realizar no encontro, causa uma maravilhosa confiança (philía), intimidade e amor, mas os apaixonados são os únicos a não saberem explicar o que esperam. A fala de Hefesto e a descrição do querer dos apaixonados: estar fundido um no outro a ponto de se tornarem um só. A falta de sua parte é o que se chama Eros. Amor como responsável pela piedade: necessário também ansiar por Eros (philo-eros), para poder encontrar sua companhia. Só se pode ser plenamente feliz se formos capazes de realizar a finalidade do amor, e o melhor a ser feito é sempre estar mais próximo desse anseio de encontrar sua metade, ou seja, aquele cuja natureza corresponda às nossas aspirações. Haverá assim cura, felicidade e bem-aventurança.



Sugestão de vídeo sobre o mito de Aristófanes:




  • [30.03] Os discursos sobre o amor V - diálogo Sócrates e Agatão
            Banquete193e-195b


Rememoração do encontro anterior. Intermezzo antes do discurso de Agatão. Erixímaco elogia Aristófanes e Sócrates elogia Erixímaco. Agatão e Sócrates como terríveis no assunto do amor. A dificuldade do lugar que Sócrates ocupa e as possibilidades de se interpretar a disposição dos discursos em Banquete. O debate entre Agatão e Sócrates sobre a maioria e a sabedoria. Fedro interrompe os dois para que se retome o fio dos discursos: ainda não é a hora do diálogo. Agatão inicia seu discurso, dizendo proceder diferente de todos os demais, que não havia elogiado o deus, e sim suas benesses. O modo como Agatão discursará diz respeito à tese: a única forma de elogiar alguma coisa é tornar manifesta sua maneira de ser. A maneira de Eros ser é, ao inverso do que Fedro havia dito no início, a de o mais belo e melhor dos deuses devido à sua juventude. Possibilidade dada de um espelhamento do orador (Agatão) em face do tema do discurso (Eros).




  • [06.04] Os discursos sobre o amor V - Agatão
            Banquete195b-197e


Rememoração do encontro anterior. A realidade do Eros em Agatão é a beleza, justificada por três qualidades: a juventude, a delicadeza e a maleabilidade. Após a justificativa de sua beleza, Agatão expõe as virtudes de Eros: a justiça das leis, a temperança pelo domínio dos prazeres e das paixões, a coragem pelo poder sobre o mais corajoso dos deuses e a sabedoria pela atividade poética de Eros. As artes das Musas e a influência de Eros sobre os melhores poetas. O reinado de Eros sobre os deuses e os bens ofertados aos humanos. Parágrafo final que sintetiza o verdadeiro elogio a Eros como causador das qualidades eminentemente humanas.



  • [13.04] O discurso de Sócrates: Aporia e o lugar da verdade
            Banquete197e-200b

Rememoração do encontro anterior. O discurso de Agatão, recebido com aplausos efusivos, deixa Sócrates admirado e em aporia. A questão dessa dificuldade está em que, para ele, todo discurso precisa estar fundamentado na verdade, se deseja de fato elogiar. O que fizeram todos, antes dele, foram reunir as belas frases e os ornamentos discursivos e jogá-los sobre Eros, sem terem esclarecido o que de fato Eros é. Para falar do seu jeito, Sócrates precisa questionar Agatão com algumas perguntinhas valiosas. Pois Agatão não só sabia como elogiar corretamente, mas também dizia saber como Eros é. Sócrates o questiona então sobre três premissas fundamentais: (a) se o amor é predicado relacional; (b) se o que ama deseja o que ama; (c) se o desejo é do que se carece. Esses três assentimentos conformarão o traço da refutação que Sócrates apresentará contra a imagem de Eros feita por Agatão.



  • [20.04] O discurso de Sócrates: a refutação de Agatão
            Banquete, 200c-201e


Rememoração do encontro anterior. Tendo admitido as três noções acerca de Eros (que ele é predicado relativo; que se relaciona por meio do desejo; que deseja aquilo de que tem falta) indicadas por Sócrates, Agatão encaminha-se para ser refutado na tese principal de seu discurso, que relacionou Eros com a beleza. Antes, Sócrates insere uma nova indicação do desejo enquanto permanência, desejo de ter no futuro aquilo que já se tem, que pode ser entendido como desejo de suprir uma falta futura. Esse ponto, que se mostra central para a noção de amor, acaba não sendo referido por Agatão durante a refutação sofrida, terminando em aporia. Sócrates rebate não ser possível se opor à verdade, que em último caso foi estabelecida pela concordância entre eles. Diotima aparece como aquela que ensinou Sócrates sobre as coisas de Eros, a partir do mesmo processo de refutação a que Sócrates submeteu Agatão. Sócrates ocupa o lugar de Agatão, em defesa daquelas teses então refutadas.



  • [27.04] O discurso de Sócrates: A noção de intermediário e Eros
            Banquete, 202a-203a


Rememoração do encontro anterior. Contra o raciocínio por extremos de Sócrates, Diotima indica ser preciso pensar em um intermediário, como um intervalo e um elo de ligação entre os dois polos que não se tocam. Assim é na relação entre o conhecimento e a ignorância, de modo que Eros possui afinidade com tudo o que se situa entremeio a dois extremos. Por isso, Diotima poderá refutar a alegação final do discurso de Agatão, ao mostrar que Eros não é um deus, mas um daimon, uma entidade intermediária que interpreta e relaciona o mundo imortal com o mundo mortal. Em tal dificuldade, Sócrates já não possui nenhuma convicção, e o caminho estará enfim aberto para que Diotima apresente uma genealogia de Eros, a fim de explicar sua origem e natureza.



  • [04.05] O discurso de Sócrates: genealogia e natureza de Eros
            Banquete, 203a-204c


Rememoração do encontro anterior. Diotima propõe-se a narrar a gênese de Eros, a fim de conseguir simbolizar o que significa sua condição de intermediário. Eros é concebido no banquete de nascimento de Afrodite, a deusa da beleza e por isso ele deseja o belo. É filho de Poros (recurso) e Penia (escassez), nascido na peculiar situação em que Poros está embriagado e adormecido (portanto, em aporia), situação que será para Penia a oportunidade (poros) de gerar o filho. Isso explica Eros como ao mesmo tempo desprovido de bens e satisfações e plenamente capaz de obtê-las. Essa condição explica porque Eros se mostra um daimon (entre divino e humano) e um filósofo (entre a sabedoria e a ignorância). de modo que o sábio não deseja possuir o que já possui, enquanto o ignorante não sabe que não sabe, por isso não se põe a buscar o que lhe falta. Sócrates (Agatão) enganava-se ao atribuir a Eros qualidades do que se faz amado (que é desejado), e não do amante (que se movimenta e deseja) como deve ser.




  • [11.05] O discurso de Sócrates: bens e utilidade de Eros
            Banquete, 204d-


Rememoração do encontro anterior.

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